domingo, 1 de maio de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
As pontes
"A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento"
(A ponte, Lenine e Lula Queiroga)
Idéias para intervenção nas pontes de Bichinho:
- iluminar o que está sob a ponte;
- soar um barulho quando alguém passa pela ponte: parte de uma música, descarga, som de navio ou água corrente etc.;
- destacar a ponte através do chão, pela diferença do chão da ponte que não é de calçamento de pedra (ponte menor, perto da igreja);
- conectar as duas pontes por: pontos luminosos, telefone de lata, sensor de movimento etc.;
- fazer um jogo de espelhos para criar ilusões de óptica;
- colocar tinta nas "entradas" das pontes de modo a criar um mosaico de fluxos;
- fazer a ponte sumir;
- abrir um falso buraco na ponte;
- espalhar várias réplicas das pontes por Bichinho;
- ter uma ponte itinerante, uma cópia que pudéssemos mudar de lugar.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Janet Cardiff
Em Inhotim, escolhemos o trabalho da artista canadense Janet Cardiff (Ontário, 1957), a qual tem desenvolvido um trabalho articulado entre sound art, vídeo e instalação desde os anos 90, frequentemente, em colaboração com o seu parceiro, George Bures Miller (Vegreville, Canadá, 1960). As instalações presentes nas galerias do aglomerado de jardins e arte contemporânea são “Forty Part Motet” e “The Murder of Crows”.
A primeira consiste na interpretação de uma peça coral do século XVI, “Spem in Alium” de Thomas Talis, cantada por 40 vozes. Cada voz foi gravada individualmente e posteriormente agrupada em um dos oito grupos vocais, cada um composto por quatro vozes masculinas (baixo, barítono, alto e tenor) e por uma voz infantil (soprano). A instalação apresenta-se disposta em oito grupos de cinco alto-falantes espalhados de forma oval pelo espaço da galeria, permitindo ao espectador ter a percepção do efeito sonoro total ou ouvir cada uma das vozes, individualmente, como se a presença física do cantor estivesse substituída pela coluna que o representa. A acústica da sala é muito boa e as paredes brancas permitem que a atenção do visitante fique voltada para o som. No centro dos alto-falantes encontram-se dois bancos de madeira. Há ainda duas ou três janelas de vidro que mostram um dos belos jardins e contribuem para a sensação de leveza ocasionada pela música.
A outra instalação foi feita em parceria com o George Bures Miler. Ela é formada por noventa e oito alto-falantes espalhados em um galpão ora sob suportes ora sob cadeiras e um megafone sob uma mesa mais ou menos central. O galpão é muito grande, as caixas de som encontram-se próximas umas das outras. Possui uma porta de entrada e uma de saída, obrigando o visitante a seguir um caminho exterior para acessar o local. Próximo à saída há vidros que permitem a visão de um espaço onde existem mesas e, quando nelas, descobrimos que fazem parte de uma lanchonete escondida pela parede. O título da obra, “The Murder of Crows” faz referência ao que ocorre na morte de um corvo: quando um corvo morre, outros corvos voam até a área próxima ao corpo e grasnam por 24 horas, formando um funeral. A idéia central vem da gravura “Sleep of Reason Brings False Monsters” da série “Los Caprichos” de Goya.
A primeira consiste na interpretação de uma peça coral do século XVI, “Spem in Alium” de Thomas Talis, cantada por 40 vozes. Cada voz foi gravada individualmente e posteriormente agrupada em um dos oito grupos vocais, cada um composto por quatro vozes masculinas (baixo, barítono, alto e tenor) e por uma voz infantil (soprano). A instalação apresenta-se disposta em oito grupos de cinco alto-falantes espalhados de forma oval pelo espaço da galeria, permitindo ao espectador ter a percepção do efeito sonoro total ou ouvir cada uma das vozes, individualmente, como se a presença física do cantor estivesse substituída pela coluna que o representa. A acústica da sala é muito boa e as paredes brancas permitem que a atenção do visitante fique voltada para o som. No centro dos alto-falantes encontram-se dois bancos de madeira. Há ainda duas ou três janelas de vidro que mostram um dos belos jardins e contribuem para a sensação de leveza ocasionada pela música.
A outra instalação foi feita em parceria com o George Bures Miler. Ela é formada por noventa e oito alto-falantes espalhados em um galpão ora sob suportes ora sob cadeiras e um megafone sob uma mesa mais ou menos central. O galpão é muito grande, as caixas de som encontram-se próximas umas das outras. Possui uma porta de entrada e uma de saída, obrigando o visitante a seguir um caminho exterior para acessar o local. Próximo à saída há vidros que permitem a visão de um espaço onde existem mesas e, quando nelas, descobrimos que fazem parte de uma lanchonete escondida pela parede. O título da obra, “The Murder of Crows” faz referência ao que ocorre na morte de um corvo: quando um corvo morre, outros corvos voam até a área próxima ao corpo e grasnam por 24 horas, formando um funeral. A idéia central vem da gravura “Sleep of Reason Brings False Monsters” da série “Los Caprichos” de Goya.
Do megafone sai a voz de Janet contando uma série de sonhos. Os sons que saem dos demais alto-falantes permitem a construção das situações narradas nas imaginações das pessoas que podem sentar nas cadeiras ali espalhadas ou andar pelo galpão. Dessa forma, experimenta-se a criação de espaços com elementos sonoros. Nas minhas duas visitas ao local a composição espaço e som me deu uma vontade imensa de dançar!
Performance
Como definir o termo performance? Apesar da leitura de alguns textos e da tentativa de uma performance na comunidade de Bichinho (vídeo abaixo), ainda não me sinto segura para responder essa pergunta. A princípio parece apenas uma forma de expressão corporal onde há a liberdade de se escolher elementos de diversas artes, como teatro, dança, artes visuais e cinema. No entanto, existe um limite na utilização de alguns desses elementos afinal uma performance não contém uma narrativa, não consiste numa representação.
Através da leitura, vi que tal forma de expressão ocorre no tempo, é efêmera e não cabe nela uma reprodução. Ou seja, os seus registros consistem apenas em recortes de ações retiradas de seus contextos. O tempo é elemento estético imprescindível da performance; quando alterado, a ação se desintegra.
Pela experiência corporal, confirmo que a sua reprodução coloca em xeque as intenções dos artistas. Porém, questiono se as demais formas de arte também não perdem parte do seu poder ao serem registradas. Ir a um teatro ou a um espetáculo de dança gera um efeito distinto de assistir ao vídeo da sua representação. O contexto em que ocorrem também faz parte do alcance da obra.
Até então consigo enxergar a performance como uma ação com ou sem significado e que conta com elementos do improviso. A idéia de ensaio aplicada a essa forma de arte me confunde. Afinal, ao repetir uma seqüência de ações várias vezes acabamos criando uma narrativa, uma lógica interna para ela.
As expressões faciais e corporais também são áreas de perigo nesse limiar entre performance, teatro e dança. Sua utilização é conseqüência da definição do ato performático pelo artista, mas transformam-se muito facilmente nas outras artes.
Enfim, analisando hoje o que foi apresentado em Bichinho, acredito que estávamos na direção certa. Tentamos, com nosso corpo, mostrar as diferenças de utilização, de materiais e de textura da escada localizada no meio da calçada. Para tanto, passamos parte do dia sentindo e experimentando o local. No entanto, acho que a expressão individual pode ser melhor trabalhada e que, se todo o grupo tivesse estado presente nesse processo de estudo, o tempo corporal do grupo estaria em maior harmonia.
Fontes:
Peixoto Santos, José Mário. Breve histórico da “performance art” no Brasil e no mundo
sábado, 16 de abril de 2011
domingo, 27 de março de 2011
Flash Mob
A expressão Flash Mob vem de Flash Mobilization. É caracterizada por uma rápida aglomeração de pessoas em um local público para realizar uma ação inusitada previamente combinada dispersando-se logo em seguida. Tais reuniões são geralmente combinadas por redes de comunicação sociais.
Flâneur
1. qui flâne, se promène sans but précis
2. qui perd son temps avec plaisir, qui paresse
A definição de flâneur deve ser visto dentro do contexto das grandes cidades onde é permitido ao homem se perder, se misturar à multidão. Contrariando a lógica do capitalismo, onde o ser humano reduz-se a um mero corpo servil, o flâneur vaga sem objetivo definido, perde-se no labirinto da cidade inebriado pelas sensações.
O filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940) descreveu o poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867) como flâneur. Este foi o primeiro poeta a refletir em sua obra a crise e os impasses da modernidade capitalista e industrial.
Fontes:
Teoria da Deriva - Internacional Situacionista
"Em 1960 é lançado o Manifesto da Internacional Situacionista, organizado por um grupo de jovens franceses que tinham uma chamada "ideologia marginal". No fundo, buscavam uma tentativa de teorizar as práticas espontâneas desenvolvidas no seio da subcultura boemia da Rive Gauche Parisiense. Guy Debord foi o fundador, e no seu círculo incluíam-se aventureiros, poetas e marginalizados de vários âmbitos, incluindo os conhecidos Letristas."
A Teoria da Deriva, publicada em 1958, define o procedimento de estudo psicogeográfico da Deriva. Tal prática consiste em questionar as ações no meio urbano frente às condições psíquicas e geográficas das pessoas. Deve-se rumar pelo espaço urbano deixando que este trace o caminho mas estudando os comandos e as respostas psíquicas a esse movimento.
Além disso, a Teoria da Deriva propõe transformar o ambiente urbano em um lugar onde todos são agentes construtores.
"Entre os diversos procedimentos situacionistas, a deriva se apresenta como uma técnica de passagem rápida por ambiências variadas. O conceito de deriva está indissoluvelmente ligado ao reconhecimento de efeitos de natureza psicogeográfica e à afirmação de um comportamento lúdico-construtivo, o que o torna absolutamente oposto às tradicionais noções de viagem e de passeio.
Guy Debord"
Fontes:
Parkour
Termo proveniente da expressão "Parcours Du Combattant", uma referência ao percurso de obstáculos desenvolvido por Georges Hébert (1875-1957), pioneiro na prática de educação física na França como parte de seu "Méthode Naturelle" ou Método Natural de Educação Física, concebido no início dos anos 20 e que foi utilizado por soldados franceses na Guerra do Vietnã para realizar resgates.
O Parkour é uma prática baseada no deslocamento consciente e ágil do corpo utilizando os obstáculos que se encontram no entorno. Diferentemente do Free Running, o Parkour não utiliza movimentos artísticos, como saltos mortais. Consiste apenas em ultrapassar obstáculos para se chegar a um objetivo da forma mais eficiente possível. Quem pratica o Parkour é denominado Tracer (masc.) ou Traceuse (fem.). Essa denominação vem do verbo Tracer que significa traçar.
O criador da prática é o francês David Belle, que na seguinte entrevista esclarece vários pontos do Parkour:
E, ainda, nesse outro vídeo é possível perceber mais claramente a ligação arquitetura - Parkour:
sábado, 26 de março de 2011
Novos olhares.
Durante a visita ao Museu de Arte da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer na década de 40, enxerguei novos detalhes e compreendi mais sobre a magia do lugar:
As formas utilizadas pelo arquiteto, a localização da construção no topo do terreno e a ausência de uma delimitação explícita do que é privado ou público permitem à imaginação dos visitantes várias brincadeiras.
O jogo de luzes e sombras e a utilização de rampas e escadas contribuem com um certo mistério e elegância ao antigo cassino. É possível inclusive reconstruir um pouco do glamour do desfile de pessoas na época dos jogos imaginando-as entre as pilastras e os espelhos internos.
Na Casa do Baile, mais uma vez as formas, a disposição das pilastras e a maneira de valorizar a construção em relação ao entorno sem isolá-la chamaram minha atenção. E, aqui, ficou mais evidente um aspecto que já havia sido mostrado no MAP: a estrutura dos ambientes de serviço. Não se enxerga claramente as partes de apoio como a cozinha do restaurante e o espaço atrás do palco.
domingo, 20 de março de 2011
Cédric par moi (refeito)
As fotos originais são:
quarta-feira, 16 de março de 2011
Cédric par moi
Ao descobrir a origem de uma pessoa, costumo associá-la à imagem que criei de sua terra natal, se tal pessoa for nova em minha vida, ou tentar achar no que já sei sobre ela traços desse lugar. O Cédric não foi uma exceção. Como ele era completamente desconhecido para mim, a primeira imagem que criei dele foi a imagem não do seu país de origem, o Congo, mas do seu continente de origem, a África. Projetei nele todas as cores, a peculiaridade e um pouco do mistério que os africanos com quem já tive contato me passaram. E, após três dias de contato com ele, mantive a idéia de um ser de certo modo enigmático, mas consegui ver um pouco de todas as cores com que o pintei inicialmente!
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