Como definir o termo performance? Apesar da leitura de alguns textos e da tentativa de uma performance na comunidade de Bichinho (vídeo abaixo), ainda não me sinto segura para responder essa pergunta. A princípio parece apenas uma forma de expressão corporal onde há a liberdade de se escolher elementos de diversas artes, como teatro, dança, artes visuais e cinema. No entanto, existe um limite na utilização de alguns desses elementos afinal uma performance não contém uma narrativa, não consiste numa representação.
Através da leitura, vi que tal forma de expressão ocorre no tempo, é efêmera e não cabe nela uma reprodução. Ou seja, os seus registros consistem apenas em recortes de ações retiradas de seus contextos. O tempo é elemento estético imprescindível da performance; quando alterado, a ação se desintegra.
Pela experiência corporal, confirmo que a sua reprodução coloca em xeque as intenções dos artistas. Porém, questiono se as demais formas de arte também não perdem parte do seu poder ao serem registradas. Ir a um teatro ou a um espetáculo de dança gera um efeito distinto de assistir ao vídeo da sua representação. O contexto em que ocorrem também faz parte do alcance da obra.
Até então consigo enxergar a performance como uma ação com ou sem significado e que conta com elementos do improviso. A idéia de ensaio aplicada a essa forma de arte me confunde. Afinal, ao repetir uma seqüência de ações várias vezes acabamos criando uma narrativa, uma lógica interna para ela.
As expressões faciais e corporais também são áreas de perigo nesse limiar entre performance, teatro e dança. Sua utilização é conseqüência da definição do ato performático pelo artista, mas transformam-se muito facilmente nas outras artes.
Enfim, analisando hoje o que foi apresentado em Bichinho, acredito que estávamos na direção certa. Tentamos, com nosso corpo, mostrar as diferenças de utilização, de materiais e de textura da escada localizada no meio da calçada. Para tanto, passamos parte do dia sentindo e experimentando o local. No entanto, acho que a expressão individual pode ser melhor trabalhada e que, se todo o grupo tivesse estado presente nesse processo de estudo, o tempo corporal do grupo estaria em maior harmonia.
Fontes:
Peixoto Santos, José Mário. Breve histórico da “performance art” no Brasil e no mundo
Nenhum comentário:
Postar um comentário